Campeonato Mineiro de Surf
Campeonato Mineiro de Surf

2º Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe

Primeiro Campeonati Mineiro de Surfe

17 a 20 abril de 2002
Público pagante - 637
Público total – 771
Número de bandas - 10
Número de músicos – 42

Mais de um ano após a primeira edição do festival, Belo Horizonte voltou a sediar o (por enquanto) único festival brasileiro de surf music. Realizado nos últimos dias 17-20 de Abril pela Associação Brasileira de Bandas de Surf Music, Reverb Brasil, o festival trouxe 5 bandas de outros estados, além das 4 bandas de Belo Horizonte que completaram o quadro de shows.

Tudo começou na quarta-feira, com o show dos punk rockers levantadores de defunto, os Amídalas Lenhadas, animando a Festa da Reverb. Essa festa acontece mensalmente no bar A Obra, sempre com DJs especializados em rock and roll da melhor qualidade e atrações de outros estados.

Na quinta-feira, o surf rock invadiu de vez a praia da Obra. O público lotou a casa em pouco tempo, mostrando que os mineiros não se importam muito se no dia seguinte é feriado ou não: o importante é o rock.

Abrindo a noite, tivemos os surf-punks Cavaleiros Que Dizem Ni, um quarteto punk rocker que está mais para Jovem Guarda do que para os Sex Pistols. Os covers estranhos (Marina Lima, The Police) agradaram o público, que também dançou com os covers dos Ramones, Man... or Astroman?, e Ultraje a Rigor, entre outros.

O lugar já estava em chamas quando os surfmotherfuckers subiram ao palco com sua pequena orquestra surf eletrônica. Os sadomasofuckers tocaram um repertório que alternava entre as músicas de seu primeiro disco e as músicas da época em que a banda ainda contava com os vocais de Bernardão. Quem não conhecia a banda se empolgou bastante, e os velhos fãs também ajudaram a animar a festa. O contraste entre o theremin e o saxofone deixou bem claro de onde vêm as influências da banda.

Lá pelo final da noite a casa do sol nascente caiu, quando o Estrume'n'tal saudou a madrugada com seus petardos sonoros de punk instrumental. Com um repertório extenso, cheio de trocadilhos infames e clássicos do rock, o Estrume demonstrou a competência punk de praxe, introduzindo (ui) o cover de The Model, do Kraftwerk, no repertório da banda. O som do Estrume é o mais pesado do surf brasileiro atualmente, e ninguém sabe aonde isso vai parar. Phil Dirt ouviu e aprovou.

Na sexta-feira o dia raiou claro, com sol claro e ventos fortes. Na rodoviária de Belo Horizonte, os primeiros rockeiros importados começavam a chegar, prontos para arrepiar o público mineiro. Esse, por sua vez, demorou para encher a Obra, e muita gente perdeu, de bobeira, o primeiro show da noite: os surfodélicos Detetives, de São Paulo. Formado por ex-integrantes de Os Ostras, a banda trouxe um clima um pouco diferente para o festival, misturando garage psicodélico com rocks instrumentais de profundo impacto craniano. Uma mistura de Kinks com Sonic Youth para ninguém botar defeito.

Foi só no meio do show dos Maremotos, de Curitiba, que a casa encheu de verdade. Os atrasadinhos iam descendo a escada dançando, e quanto mais a cerveja gelava, mais a festa esquentava. Desfalcados do guitarrista Coxinha, os Maremotos subiram ao palco com uma simplicidade que deixaria os Ramones envergonhados. Na bateria, apenas bumbo, caixa, surdo e um prato de 18 polegadas. A guitarra e o baixo não tinham pedal algum. O palco da Obra pareceu grande pela primeira vez na vida. Mas logo o surf rock clássico da banda inundou o ambiente e tudo parecia um filme do Frankie Avalon. Sucessos em desfile um atrás do outro, e o que antes parecia simplicidade se revelou extrema competência. Uma aula de surf music.

Quando até as paredes já estavam suando, depois de dois shows canabrava, os floripenses do Xevi 50 subiram ao palco com um visual totalmente psychobilly, incluindo baixo de pau pegando fogo e topetões. Mas o mistério sobre o som da banda acabou logo que o trio ligou os amplificadores e começou sua campanha maciça de destruição do tédio. No final do show, uma jam session de Pipeline com Claudão (baterista do Estrume'n'tal) e Cleverson (guitarrista dos Maremotos). O público só parou de dançar o twist quando o segundo bis de "Vaca e Frango" arrancou os últimos suspiros da platéia exausta e derretendo.

O sábado começou animado, com um pequeno churrasco de confraternização no terraço do Hotel Bragança, onde as bandas de fora se hospedaram. Sobreviventes das noites anteriores iam se deliciando com cerveja, costela e lingüiça enquanto as bandas da noite iam chegando, provindas de São Paulo e Campinas. Um tecladinho, dois violões e o baixo de pau do DJ da noite, Dr. Fireball, serviram para esquentar os músicos. Os destaques da tarde ficaram com a versão folk de uma música do Alan Parson's, executada por Coelio, baterista dos Maremotos, com a ajuda de Claudão do Estrume'n'tal e esse que vos fala; e também com Barbosa, baterista dos Gasolines, que demonstrou sua veia experimental transformando uma churrasqueira acesa e dois espetos de churrasco numa bateria muito maneira.

Quem abriu os shows daquela noite foram os mineiros do Reverb All Stars, um coletivo de surf-rockeiros provenientes de várias bandas de Belo Horizonte. O objetivo da banda é divulgar o surf clássico em locais menos abertos a shows de rock, como restaurantes, bares, escolas, clubinhos, igrejas, bar-mitzvahs e ambientes familiares em geral. Mas em sua noite de estréia, os discretos rockeiros desceram a lenha e não pararam nem para respirar entre os sucessos e clássicos de seu repertório. A apresentação da banda explicou a todos por que é que Belo Horizonte, a cidade sem praia, é a capital mundial da surf music: uma música sem vocal e sem letra é perfeita para um povo que come quieto.

Em seguida, os campinenses do Orestes Prezza chegaram com mais uma orquestra de surf. Além de bateria, baixo e duas guitarras, a banda ainda conta com um trombone (!), e para completar a muralha sonora, chamou esse que vos fala para tocar percurssão em todas as músicas. Assim o show ficou muito parecido com o disco que a banda lançou nesse mesmo show, intitulado "Trombones, Maracas e Duas Guitarras Fumegantes". Sucesso de vendas, a caixinha verde-folha era vista nas mãos de muita gente que saía do bar. No repertório da banda, excelentes músicas próprias misturadas com clássicos antigos e modernos: Ventures, Mummies e Phantom Surfers.

E para fechar tudo, os mais recentes popstaras da cena, os Gasolines de São Paulo. A história de popstars se explica a seguir: na noite de sexta, a banda se apresentou em rede nacional no programa Descontrole, da Rede Bandeirantes de Televisão. Depois de executarem duas músicas no programa ("Viva Zapata", de Link Wray, e uma inusitada versão surf de "Sozinho", de Peninha), a banda abandonou os estúdios da Bandeirantes e seguiu diretamente em direção à rodoviária, chegando em BH com a mesma roupa que estavam usando no programa. Muita gente reconheceu os rapazes, e seu impecável desfile de clássicos provou mais uma vez que quando o negócio é rock, os Gasolines não estão pra brincadeira.

No domingo, só coube a todos voltar para casa e descansar, depois de três dias de surf rock incessante. Agora é esperar para ver o que mais esses maravilhosos malucos do surf rock vão aprontar por esse Brasil afora.

 

Programação

Quarta 17 de Abril de 2002
Amídalas Lenhadas

Quinta 18 de Abril de 2002
Cavaleiros Que Dizem Ni
Estrume'n'tal
thesurfmotherfuckers

Sexta 19 de Abril de 2002
Detetives
Maremotos
Xevy 50

Sábado 20 de Abril 2002
Reverb All Stars
Orestes Prezza
Gasolines

Fotos


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