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Todo show é a mesma coisa. Diante daquela cena incomum - uma parede de vocais, formada por várias garotas e um marmanjo, impulsionada por uma massa sonora que vem de mais quatro marmanjos que ficam atrás (ops) - o público, espantado, vem sempre com as mesmas dúvidas cruéis. "Jurema não é marca de ervilha?" "De onde é que vem esse nome?" "Será que é 'o' Juremas, 'as' Juremas ou 'os' Juremas?" "Será que eu já vi esses caras antes?"

Pra responder, então, o melhor é começar do começo. Jurema era um carango de um mano meu, em que há uns doze anos atrás um bando de escrotinhos se embolava pro transporte entre um buteco e outro. No meio desse bando de escrotinhos, uns e outros arriscavam uns acordes no violão de um primo meu e gostavam de rock'n'roll. O resultado, é claro, foi uma banda de rock. Só que não foi só uma, foram duas, Os Pilhas e Os Bento Boys, que logo se fundiram e formaram os Meldas, a lendária banda punk de BH. Ano vai, ano vem, os Meldas tocando aqui e ali, arrumando emprego, casando, indo morar no exterior, montando bar, alisando banco de buteco e escola... Acaba que, como a música não dava grana, a vida foi levando uns pra um lado, outros pro outro e os Meldas quase que pararam de tocar.

Só que uns caras tinham comprado guitarra, baixo, bateria, e curtiam pra caramba fazer um barulhinho até dar tuim no ouvido. O resultado, é claro, foi mais uma banda de rock. Mais uma não, mais duas, mais três. Os Meldas eram oito, às vezes nove, então era fácil. Era só juntar uns quatro aqui, uns três ali, dar uma chacoalhada e escolher novamente mais quatro, misturar com o primo do tio de um amigo meu... Foram os Ratones (que só mandam Ramones), a Power Band (que juntava com o Roger ex-Sexo Explícito e as suas duas sobrinhas), o Estrume'n'tal (que toca tipo surf rock misturado com punk e outras coisas) e mais um monte de outras que quase que nem chegaram a existir direito, como os X, os Crumbs, o Canudos, o Eu e os Meus, os Dread Billys e por aí vai.

Ano vai, ano vem, cinco caras dessa galera de amigos estão casados ou namorando com cinco garotas legais que também gostam de um barulhinho. Um desses caras tem a idéia brilhante, que no princípio até parecia meio absurda. O negócio é fazer uma nova banda, juntando esses dez. Temos que admitir, ele gastou um bocado de cuspe pra convencer os outros a entrarem no barquinho. No primeiro ensaio eram sete, e foi surpreendente. As meninas, Lu, Cacá e Moniquinha, que nunca tinham cantado, mandaram ver nos vocais, junto com o Marcelim. A banda ficou com o Claudão, que era baterista, no baixo, Gui, que era guitarrista, na bateria, e Vitão, que era guitarrista, na guitarra. Depois aquele cara acabou convencendo a Raquel, o Lino e a Marina a entrarem. O Lino para a guitarra e a Raquel e a Marina para os vocais. Pouco tempo depois, o Gui e a Raquel ficaram com saudades daquele passeiozinho de fim-de-semana na cachoeira, daquela ida a São João Del Rei, e resolveram deixar a banda. Mas a Raquel, que é simplesmente um gênio nas letras, prometeu que não vai parar de compor. Então teve que rolar uma troca de instrumentos. O Claudão voltou para a bateria e o Lino foi para o baixo. Mais tarde o Gui acabou voltando, mas para a guitarra, que é o que ele toca de verdade, e a Lu resolveu ficar uns tempos fora da banda (mas vai acabar voltando).

Desde que tudo começou tem pouco tempo, mais ou menos um ano. De lá pra cá a banda já fez uma série de shows, tocando ao lado de bandas legais como o Autoramas, o Elroy, o Go, o Limbonautas, o Thesurfmotherfuckers, etc. Entre eles, duas participações inesquecíveis em festivais alternativos que reuniram bandas do Brasil inteiro: o Primeiro Campeonato Mineiro de Surf, em novembro de 2000, em BH, e o Hell Surf, em abril de 2001, em Curitiba. O primeiro CD-demo do Juremas, que se chama "Juremas" mesmo, foi lançado em abril de 2001. Tem algumas versões (de Ramones, Sexo Explícito, New York Dolls...) e algumas músicas totalmente originais. Mas como essas gravações foram feitas numa época em que a banda ainda estava começando e com uns instrumentistas fora dos seus verdadeiros instrumentos, o pessoal acabou resolvendo fazer um novo CD-demo, regravando os hits "Minhoca" e "Vibrador", do primeiro CD, mais a novíssima "Cê se fudeu". Esse disquinho já tá pronto e circulando por aí, mostrando que a banda está de vento em popa e ficando cada vez melhor.

Concluindo, o nome é simplesmente Juremas. Mas se quiser falar 'as' Juremas, tudo bem. Os marmanjos acham que não tem problema. Idem para as meninas e 'os' Juremas. O som segue mais ou menos a linha de todas as outras bandas da galera. Rock'n'roll pesado, simples e animado, com influências das fontes mais variadas (jovem guarda, rockabilly, marchinhas de carnaval, punk rock, cartoon network, psychobilly, canções infantis e sabe-se lá o que mais) e letras divertidas e bem humoradas. Se tiver que escolher um rótulo, o pessoal não hesita: é punk rock.


juremasweb . última atualização: 19.02.02 . webmaster: danihell