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Todo
show é a mesma coisa. Diante daquela cena incomum - uma parede
de vocais, formada por várias garotas e um marmanjo, impulsionada
por uma massa sonora que vem de mais quatro marmanjos que ficam atrás
(ops) - o público, espantado, vem sempre com as mesmas dúvidas
cruéis. "Jurema não é marca de ervilha?"
"De onde é que vem esse nome?" "Será que
é 'o' Juremas, 'as' Juremas ou 'os' Juremas?" "Será
que eu já vi esses caras antes?"
Pra responder, então, o melhor é começar do começo. Jurema era um carango de um mano meu, em que há uns doze anos atrás um bando de escrotinhos se embolava pro transporte entre um buteco e outro. No meio desse bando de escrotinhos, uns e outros arriscavam uns acordes no violão de um primo meu e gostavam de rock'n'roll. O resultado, é claro, foi uma banda de rock. Só que não foi só uma, foram duas, Os Pilhas e Os Bento Boys, que logo se fundiram e formaram os Meldas, a lendária banda punk de BH. Ano vai, ano vem, os Meldas tocando aqui e ali, arrumando emprego, casando, indo morar no exterior, montando bar, alisando banco de buteco e escola... Acaba que, como a música não dava grana, a vida foi levando uns pra um lado, outros pro outro e os Meldas quase que pararam de tocar.
Ano vai, ano vem, cinco caras dessa galera de amigos estão casados ou namorando com cinco garotas legais que também gostam de um barulhinho. Um desses caras tem a idéia brilhante, que no princípio até parecia meio absurda. O negócio é fazer uma nova banda, juntando esses dez. Temos que admitir, ele gastou um bocado de cuspe pra convencer os outros a entrarem no barquinho. No primeiro ensaio eram sete, e foi surpreendente. As meninas, Lu, Cacá e Moniquinha, que nunca tinham cantado, mandaram ver nos vocais, junto com o Marcelim. A banda ficou com o Claudão, que era baterista, no baixo, Gui, que era guitarrista, na bateria, e Vitão, que era guitarrista, na guitarra. Depois aquele cara acabou convencendo a Raquel, o Lino e a Marina a entrarem. O Lino para a guitarra e a Raquel e a Marina para os vocais. Pouco tempo depois, o Gui e a Raquel ficaram com saudades daquele passeiozinho de fim-de-semana na cachoeira, daquela ida a São João Del Rei, e resolveram deixar a banda. Mas a Raquel, que é simplesmente um gênio nas letras, prometeu que não vai parar de compor. Então teve que rolar uma troca de instrumentos. O Claudão voltou para a bateria e o Lino foi para o baixo. Mais tarde o Gui acabou voltando, mas para a guitarra, que é o que ele toca de verdade, e a Lu resolveu ficar uns tempos fora da banda (mas vai acabar voltando).
Concluindo, o nome é simplesmente Juremas. Mas se quiser falar 'as' Juremas, tudo bem. Os marmanjos acham que não tem problema. Idem para as meninas e 'os' Juremas. O som segue mais ou menos a linha de todas as outras bandas da galera. Rock'n'roll pesado, simples e animado, com influências das fontes mais variadas (jovem guarda, rockabilly, marchinhas de carnaval, punk rock, cartoon network, psychobilly, canções infantis e sabe-se lá o que mais) e letras divertidas e bem humoradas. Se tiver que escolher um rótulo, o pessoal não hesita: é punk rock. |
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19.02.02
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