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A
Obra sempre teve como um de seus principais objetivos ser
um espaço aberto para as novas bandas de Belo Horizonte.
Seus proprietários são músicos amadores,
e por muito tempo sentiram na pele a dificuldade de encontrar
na cidade um lugar onde uma banda iniciante, que toque músicas
próprias, possa se apresentar em condições
minimamente adequadas.
Buscando
lucros mais fáceis, as casas noturnas geralmente preferem
as bandas que já conquistaram um grande público
ou que tocam covers dos sucessos de FM.
De
olho na cena alternativa da cidade, A Obra sempre deu prioridade
para as novas bandas em sua programação. Principalmente
no projeto "Terça Sem Lei", em que as bandas
iniciantes tocavam em shows com toda a estrutura necessária.
Nos
seus primeiros dois anos, a casa sediou shows de mais de 200
bandas, que contaram sempre com uma boa estrutura
e trabalho de divulgação. Bandas formadas
por jovens músicos (muitos deles de baixa renda) que,
com poucas exceções, são totalmente amadores
e não ganham nenhum dinheiro com a música.
Essas
bandas viam na Obra uma chance de mostrar o seu som e, em
alguns casos, começar a conquistar algum espaço
para um dia talvez se tornarem profissionais. Por isso, sempre
foi grande a procura por um espaço na agenda da Obra,
que fazia questão de dar oportunidade ao maior número
de bandas possível.
Mas,
infelizmente, em março de 1999 A Obra foi multada porque
estava sediando um show de músicos que não tinham
a carteirinha da Ordem dos Músicos do Brasil. Desde
então, a casa ficou proibida de realizar shows de músicos
que não eram filiados à OMB, ou seja, de quase
todas as bandas da cena alternativa de BH.
Muitos
eventos foram, inclusive, desmarcados.
Para
a OMB, qualquer apresentação musical, tenha
ou não finalidade lucrativa, só pode ser feita
por músicos filiados a ela, o que implica no pagamento
da carteirinha e das anuidades da entidade.
Segundo
a OMB, essa norma se baseia na Lei Federal n0 3.857, de 22/12/60,
que cria a entidade para disciplinar o exercício da
profissão de músico, e na Portaria n0 3.346,
de 30/12/86, do Ministério do Trabalho, que regulamenta
a lei. As imposições da OMB causaram espanto
e indignação não apenas à Obra,
mas também aos músicos amadores.
Depois
de ler as leis e consultar seus advogados, A Obra achou que
essas imposições eram um grave erro de interpretação
da lei, que feria a liberdade de expressão dos músicos
amadores. A Lei n0 3.857 cria a OMB para disciplinar o exercício
da profissão de músico, e não o exercício
da música, que pode ser feito amadoristicamente.
Prova
disso é o Artigo 120 da Portaria n0 3.346, que diz
que "as instruções contidas nesta Portaria
não se aplicam às realizações
artísticas que se constituírem em espetáculos
amadoristas, sem fins lucrativos". As imposições
da OMB prejudicaram principalmente os músicos amadores,
que não puderam mais exercer seu direito de expressão
sem pagar as carteirinhas e anuidades exigidas pela OMB. O
que contraria, inclusive, a Constituição Brasileira,
que diz que. "é livre a expressão da atividade
intelectual, artística, científica e de comunicação,
independentemente de censura ou licença".
Para
reverter essa situação, A Obra entrou na Justiça
com um Mandato de Segurança, pedindo que fosse reconhecido
seu direito de realizar shows de músicos amadores que não
são filiados Ó OMB. Junto com o Mandato de Segurança,
A Obra entrou também com um pedido de liminar, para
que os shows fossem liberados enquanto a Justiça não
decidia o mérito da questão. A liminar foi negada e
a decisão final sobre o Mandato de Segurança demorou
quase um ano para sair.
Mas,
em março de 2002, a Justiça deu ganho de causa
à Obra.
Segundo a sentença, a OMB não tem autoridade
para multar a casa e nem os músicos amadores, podendo
multar apenas o músico profissional.
A
OMB vai, certamente, recorrer dessa decisão. Mas, enquanto
isso, vale o que a Justiça decidiu. A Obra abrir suas portas para as bandas amadoras, sem que elas
tenham que fazer carteirinha de músico e pagar anuidades
à OMB.
O
projeto "Terça Sem Lei" volta a funcionar,
agora nas quartas-feiras, rebatizado de "Quarta Sem Lei".
Esperamos que a Justiça continue a reconhecer o direito
de expressão dos músicos amadores e que o recurso
da OMB não tenha sucesso. Enquanto isso, o negócio
é fazer barulho. Se você tem uma banda e quer
tocar na Obra, não perca a oportunidade. Entre em contato,
mande o seu material, porque nosso espaço está
aí para isso mesmo.
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